sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Armagedão e Links da semana




A insignificância da Ordem

Durante a crise dos mísseis de Cuba em 1962, um dos submarinos soviéticos que monitorizava o bloqueio norte-americano, esteve prestes a atacar com uma ogiva nuclear um contratorpedeiro dos EUA, no que seria o início da Terceira Guerra Mundial.
Dos três oficiais que em conjunto tinham possibilidade de iniciar esse ataque, um recusou-se.
Chamava-se Vassili Arkhipov.

Em Setembro de 1983, o tenente-coronel do exército soviético, Stanislav Petrov não quis comunicar à sua hierarquia o lançamento de seis mísseis nucleares norte-americanos, o que levaria a liderança da URSS a uma retaliação imediata.
Concluiu-se depois que o radar fez uma avaliação errónea.

Meses depois, em Novembro, um exercício da NATO (“Able Archer”) causou no em Moscovo a percepção de que se prepararia um “first strike” sobre o então Pacto de Varsóvia.
Esteve iminente a resposta do Kremlin, e para muitos historiadores da Guerra Fria foi o momento em que de facto mais próximo se esteve do “conflito final” desde o episódio cubano.

Em 1979, uma peça defeituosa que custava menos de um dólar originou por lapso, que nos écrans do NORAD surgissem dezenas de mísseis nucleares a saírem de território russo com destino aos EUA.
Já com o “telefone vermelho” em funcionamento, Moscovo avisou que não tinha iniciado nenhum ataque.

Como se vê, a chamada Ordem Internacional tem contado também com os seus dias de “sorte”.

O sortilégio, tal como a entendemos, é algo que deriva da superstição, que contraria a compreensão racional, e que mesmo a existir não parece obedecer a critérios de intervenção parametrizados ou bafejados pela bondade.

Num conjunto de episódios nefastos que poderiam ter conduzido à destruição de grande parte do Planeta, foram homens normais, avaliações de moralidade ou algum saudável discernimento que impediram o chamado Armagedão.

A Teoria das Relações Internacionais, em particular a escola "Realista", faz-nos saber que essa época era de natureza bipolar (dominada pela “Guerra Fria” entre dois blocos distintos) e tal como estatuído heterogeneamente por Morgenthau, Aron e Waltz, produz rotina e estabilidade, embora encerre em si um enorme potencial destrutivo.

A estrutura, ou se quisermos a “pura teoria” das Relações Internacionais, não constituiria impedimento para alegremente se acabar com o mundo.
A possibilidade latente de aniquilação, seja numa configuração uni, bi ou multipolar, mantém-se.

E demonstra a História que mais importante que qualquer ordem é a boa-vontade e o são juízo dos Homens.
Mesmo numa época em que tal critério parece se esvair em decisões intempestivas, casuísticas e notoriamente adversas a qualquer sentido crítico e mesmo ao que se convencionou chamar de Ordem.







Links da semana



Trump

Trump não é um actor racional, visto por um Realista Ofensivo (Stephen Walt): https://foreignpolicy.com/2017/01/25/americas-new-president-is-not-a-rational-actor

Robert Kagan e o “declínio” da Ordem Internacional Liberal: https://www.brookings.edu/research/the-twilight-of-the-liberal-world-order/

Russell Mead trata o tema da revolta Jacksoniana, a “herança” que chegou ao novo Presidente: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2017-01-20/jacksonian-revolt

Fukuyama, a democracia Americana e como contrariar o pânico: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/donald-trump-american-democracy-214683

Um académico de Psicologia e Linguística analisa o discurso inaugural: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/science-behind-donald-trump-inaugural-address-214674


Corey Robin compara os discursos inaugurais de Reagan e Trump: http://coreyrobin.com/2017/01/20/trumps-inaugural-address-versus-reagans-inaugural-address/


Um académico que serviu em 3 administrações Republicanas não apoia Trump e explica o porquê:


O Parlamento Europeu reúne avaliações de “Think Tanks” à nova presidência: http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/BRIE/2017/596852/EPRS_BRI(2017)596852_EN.pdf

Dois académicos e ex-Embaixadores com recomendações sobre acções e políticas da nova administração para o Médio Oriente: http://www.washingtoninstitute.org/uploads/Documents/pubs/TP3-GeneralPrinciples.pdf

O programa de Trump. “America First” na Política Externa: https://www.whitehouse.gov/america-first-foreign-policy

Análise de Jessica Matthews na NY Review of Books com base em livrros de Flynn, Cohen e Haass: http://www.nybooks.com/articles/2017/02/09/what-trump-is-throwing-out-the-window/

Simon Reich e o futuro da NATO com o “America First”: https://theconversation.com/natos-future-when-america-comes-first-71671




Uma comparação com a tomada de posse de Andrew Jackson: http://www.newyorker.com/news/news-desk/watching-andrew-jacksons-inauguration


Garton Ash (em português) e o novo mundo do Nacionalismo: http://observador.pt/opiniao/bem-vindos-ao-admiravel-mundo-novo-do-nacionalismo/

O LA Times recorda o significado do “America First”: http://www.latimes.com/politics/la-na-pol-trump-america-first-20170120-story,amp.html

A mensagem inaugural de James Mattis como Secretário de Estado da Defesa:



Paul Pillar e como Trump se pode tornar intervencionista: http://lobelog.com/why-donald-trump-might-become-an-interventionist/


A mudança religiosa que gradualmente se faz sentir nos EUA:


Um artigo indispensavel sobre a ascensão de Trump no GOP e as várias questões que o sistema partidário norte-americano levanta: https://niskanencenter.org/blog/the-party-declines/


As “fake news” não influenciaram os resultados eleitorais: http://www.the-american-interest.com/2017/01/24/study-lands-blow-against-fake-news-panic/

Na Brookings, Daniel Byman identifica 7 assunções da Política Externa da nova administração: https://www.brookings.edu/blog/order-from-chaos/2017/01/23/seven-trump-foreign-policy-assumptions/


Eliot Cohen e 5 razões que deviam contrariar a postura isolacionista de Trump: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/bad-arguments-foreign-policy-us-global-leader-role-isolationism-214687

Suzanne Nossel na Foreign Policy destaca o assalto de Trump ao Iluminismo: http://foreignpolicy.com/2017/01/26/donald-trumps-assault-on-the-enlightenment-nea-neh-funding-cuts/

O Partido Republicano entre o risco e a oportunidade, por Peter Berkowitz: http://www.realclearpolitics.com/articles/2017/01/25/trumps_gop_perched_between_risk_and_opportunity_132886.html

Os finlandeses do FIIA comentam as falhas do pensamento de “foreign policy” de Trump: http://www.fiia.fi/assets/publications/Comment3_America_Searching_for_Respect.pdf



Steve Bannon conversou com o NY Times e disse que os “media” se deviam calar: https://www.nytimes.com/2017/01/26/business/media/stephen-bannon-trump-news-media.html

4 estudantes da LSE sobre a ineficácia da “Madman theory” aplicada a Trump: http://blogs.lse.ac.uk/usappblog/2017/01/26/trumps-foreign-policy-is-unlikely-to-benefit-from-a-madman-advantage/



Rússia

Um magnífico perfil da personalidade politica de Vladimir Putin:


As vulnerabilidades europeias face à Rússia:



Report da Carnegie sobre o regime Russo:


A Rússia de Putin é um Estado Fascista “moderado”: http://www.the-american-interest.com/2017/01/23/putins-russia-a-moderate-fascist-state/



China


Relatório do Governo Chinês sobre as suas actividades espaciais: http://www.scio.gov.cn/zfbps/32832/Document/1537024/1537024.htm

E uma análise do IDSA a esse mesmo relatório: http://www.idsa.in/issuebrief/china-2016-space-white-paper_avlele_060117



Uma análise do “Asia Times” à China como líder desta Ordem Internacional Liberla: http://www.atimes.com/china-leader-global-liberal-order/



Vários


A fundação Obama: https://www.obama.org/

“Global Militarization Index 2016” do BICC: https://www.bicc.de/uploads/tx_bicctools/GMI_2016_e_2016_01_12.pdf


Os Partidos “Piratas” e a sua eventual relevância política: http://www.ecfr.eu/article/commentary_are_pirate_parties_relevant_to_european_politics_7221

The political use of psychiatry: A comparison between totalitarian regimes,

Buoli, Massimiliano; Giannuli, Aldo Sabino, International Journal of Social Psychiatry (Online first):


Entrevista no Valdai com académico Indiano sobre a Estratégia da Índia para se tornar uma “superpotência”: http://valdaiclub.com/multimedia/video/pankaj-kumar-jha-on-india-s-superpower-strategy/

A “Transatlantic Academy” elabora uma análise sobre a necessária postura alemã numa era de incertezas: http://www.transatlanticacademy.org/sites/default/files/publications/Froehlich%20-%20Berlin's%20New%20Pragmatism.pdf


Acompanhamento diário do CFR sobre conflitos globais: http://www.cfr.org/global/global-conflict-tracker/p32137#!/

Índex do “The Economist” sobre a Democracia em 2016, intitulado “a revolta dos deploráveis”: http://www.eiu.com/Handlers/WhitepaperHandler.ashx?fi=Democracy-Index-2016.pdf&mode=wp&campaignid=DemocracyIndex2016

Índex da “Transparency International” sobre percepções de corrupção em 2016: http://www.transparency.org/news/feature/corruption_perceptions_index_2016


10º Índex da Universidade de Pennsylvania sobre “Think Tanks”: http://repository.upenn.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1011&context=think_tanks

12º “Global Risks Report” do World Economic Forum: http://espas.eu/orbis/sites/default/files/generated/document/en/GRR17_Report_web.pdf



Sobre o Holocausto e o perdão, visto por um académico Judeu: https://theconversation.com/exploring-the-complexities-of-forgiveness-71774


O ECFR aborda o Iraque e Líbia no pós-“Estado Islâmico”: http://www.ecfr.eu/publications/summary/after_isis_how_to_win_the_peace_in_iraq_and_libya_7212



Teoria das Relações Internacionais

Os populistas “anti-corrupção” tendem a ser mais corruptos: https://foreignpolicy.com/2017/01/25/anti-corruption-populists-tend-to-be-more-corrupt-report-says/

“Handbook” do ISS, “The EU and the World: players and policies post-Lisbon”: http://www.iss.europa.eu/uploads/media/EU_Handbook.pdf

Conferência da APSA, dedicada a Unipolaridade e a Nova Ordem Mundial, a Setembro de 2016, junta Ikenberry, Walt, David Lake, Nuno Monteiro e Jennifer Lind: https://www.youtube.com/watch?v=-dw2xe95-eg


Teoria Crítica interpreta o mandato do novo POTUS: Donald Trump: A Critical Theory-Perspective on Authoritarian Capitalism, Fuchs, Christian na Communication,

Capitalism & Critique, 15 (1), 1-72, 2017:


Mearsheimer e Bacevich analisam a política dos EUA no Médio Oriente: http://lobelog.com/bacevich-and-mearsheimer-on-u-s-policy-in-the-middle-east/

Estudo da Carnegie sobre a aliança entre os EUA e o Japão no pós-Guerra Fria:



As 8 “grandes” Potências, Walter Russell Mead e Sean Kelley: http://www.the-american-interest.com/2017/01/24/the-eight-great-powers-of-2017/

A LSE disponibiliza de forma gratuita uma colecção de ensaios e pesquisas do “journal” “Cold War History”, dividida em quatro temas: América Latina, a Alemanha, a China e JFK: http://www.lse.ac.uk/IDEAS/Projects/CWSP/journal.aspx

“Paper” do Valdai sobre a incerteza e os desafios da economia mundial: http://valdaiclub.com/files/13054/



Vídeos

Conferência de Richard Haass, na Politics and Prose, sobre o seu novo livro: “A World in Desarray”: https://www.youtube.com/watch?v=zjwv7ZK6iYY


Trump dirige-se aos membros Republicanos do Congresso no “retreat” do GOP em Philadelphia: https://www.youtube.com/watch?v=4X08l2m_fCg

Theresa May no mesmo evento: https://www.youtube.com/watch?v=U_inbYxXAT8

Trump: uma tragédia Americana? Debate na intelligence2 com Anne Applebaum, Ted Maloch (possível embaixador de Trump na EU) entre outros: http://www.intelligencesquared.com/events/trump-an-american-tragedy/

Sem comentários:

Enviar um comentário