A
insignificância da Ordem
Durante a crise dos
mísseis de Cuba em 1962, um dos submarinos soviéticos que monitorizava o
bloqueio norte-americano, esteve prestes a atacar com uma ogiva nuclear um
contratorpedeiro dos EUA, no que seria o início da Terceira Guerra Mundial.
Dos três oficiais que em
conjunto tinham possibilidade de iniciar esse ataque, um recusou-se.
Chamava-se Vassili Arkhipov.
Em Setembro de 1983, o
tenente-coronel do exército soviético, Stanislav Petrov não quis comunicar à
sua hierarquia o lançamento de seis mísseis nucleares norte-americanos, o que
levaria a liderança da URSS a uma retaliação imediata.
Concluiu-se depois que o
radar fez uma avaliação errónea.
Meses depois, em Novembro,
um exercício da NATO (“Able Archer”) causou
no em Moscovo a percepção de que se prepararia um “first strike” sobre o então Pacto de Varsóvia.
Esteve iminente a resposta
do Kremlin, e para muitos historiadores da Guerra Fria foi o momento em que de
facto mais próximo se esteve do “conflito final” desde o episódio cubano.
Em 1979, uma peça
defeituosa que custava menos de um dólar originou por lapso, que nos écrans do
NORAD surgissem dezenas de mísseis nucleares a saírem de território russo com
destino aos EUA.
Já com o “telefone
vermelho” em funcionamento, Moscovo avisou que não tinha iniciado nenhum
ataque.
Como se vê, a chamada
Ordem Internacional tem contado também com os seus dias de “sorte”.
O sortilégio, tal como a
entendemos, é algo que deriva da superstição, que contraria a compreensão
racional, e que mesmo a existir não parece obedecer a critérios de intervenção
parametrizados ou bafejados pela bondade.
Num conjunto de
episódios nefastos que poderiam ter conduzido à destruição de grande parte do
Planeta, foram homens normais, avaliações de moralidade ou algum saudável discernimento
que impediram o chamado Armagedão.
A Teoria das Relações
Internacionais, em particular a escola "Realista", faz-nos saber que essa época era de natureza bipolar (dominada
pela “Guerra Fria” entre dois blocos distintos) e tal como estatuído heterogeneamente
por Morgenthau, Aron e Waltz, produz rotina e estabilidade, embora encerre em
si um enorme potencial destrutivo.
A estrutura, ou se
quisermos a “pura teoria” das Relações Internacionais, não constituiria
impedimento para alegremente se acabar com o mundo.
A possibilidade latente
de aniquilação, seja numa configuração uni, bi ou multipolar, mantém-se.
E demonstra a História
que mais importante que qualquer ordem é a boa-vontade e o são juízo dos
Homens.
Mesmo numa época em que
tal critério parece se esvair em decisões intempestivas, casuísticas e
notoriamente adversas a qualquer sentido crítico e mesmo ao que se convencionou
chamar de Ordem.
Links da semana
Trump
Trump não
é um actor racional, visto por um Realista Ofensivo (Stephen Walt): https://foreignpolicy.com/2017/01/25/americas-new-president-is-not-a-rational-actor
Robert
Kagan e o “declínio” da Ordem Internacional Liberal: https://www.brookings.edu/research/the-twilight-of-the-liberal-world-order/
Russell
Mead trata o tema da revolta Jacksoniana, a “herança” que chegou ao novo
Presidente: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2017-01-20/jacksonian-revolt
Fukuyama,
a democracia Americana e como contrariar o pânico: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/donald-trump-american-democracy-214683
Um académico de Psicologia e
Linguística analisa o discurso inaugural: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/science-behind-donald-trump-inaugural-address-214674
Mais uma leitura do discurso
inaugural: https://theconversation.com/death-and-rebirth-reading-between-the-lines-of-trumps-inauguration-speech-71667
Corey Robin compara os discursos
inaugurais de Reagan e Trump: http://coreyrobin.com/2017/01/20/trumps-inaugural-address-versus-reagans-inaugural-address/
Na Idade do “narcisismo
colectivo”: https://theconversation.com/welcome-to-the-age-of-collective-narcissism-71196
Um académico que serviu em 3
administrações Republicanas não apoia Trump e explica o porquê:
O
Parlamento Europeu reúne avaliações de “Think Tanks” à nova presidência: http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/BRIE/2017/596852/EPRS_BRI(2017)596852_EN.pdf
Dois
académicos e ex-Embaixadores com recomendações sobre acções e políticas da nova
administração para o Médio Oriente: http://www.washingtoninstitute.org/uploads/Documents/pubs/TP3-GeneralPrinciples.pdf
O programa
de Trump. “America First” na Política Externa: https://www.whitehouse.gov/america-first-foreign-policy
Análise de
Jessica Matthews na NY Review of Books com base em livrros de Flynn, Cohen e
Haass: http://www.nybooks.com/articles/2017/02/09/what-trump-is-throwing-out-the-window/
Simon
Reich e o futuro da NATO com o “America First”: https://theconversation.com/natos-future-when-america-comes-first-71671
Recomendações
da Heritage para os primeiros 100 dias: http://www.heritage.org/research/reports/2017/01/the-first-100-days-of-the-trump-administration?aliId=2400676903
Entrevista
de Anne Aplebaum: http://www.spiegel.de/international/world/anne-applebaum-interview-about-president-donald-trump-a-1130988.html#ref=rss
Artigo da
historiadora: https://www.washingtonpost.com/opinions/global-opinions/trumps-dark-promise-to-return-to-a-mythical-past/2017/01/20/02558ce0-df3c-11e6-ad42-f3375f271c9c_story.html?utm_term=.1a58b2944857
Uma
comparação com a tomada de posse de Andrew Jackson: http://www.newyorker.com/news/news-desk/watching-andrew-jacksons-inauguration
As crises
externas que esperam Trump: https://www.theatlantic.com/international/archive/2017/01/trump-russia-putin-north-korea-putin/513749/
Garton Ash
(em português) e o novo mundo do Nacionalismo: http://observador.pt/opiniao/bem-vindos-ao-admiravel-mundo-novo-do-nacionalismo/
O LA Times
recorda o significado do “America First”: http://www.latimes.com/politics/la-na-pol-trump-america-first-20170120-story,amp.html
A mensagem
inaugural de James Mattis como Secretário de Estado da Defesa:
Javier
Solana escreve sobre Trump, o Irão e o Médio Oriente: https://www.project-syndicate.org/commentary/trump-iran-stability-middle-east-by-javier-solana-2017-01
Paul
Pillar e como Trump se pode tornar intervencionista: http://lobelog.com/why-donald-trump-might-become-an-interventionist/
Paul Pilar
na National Interest e as mentiras de Trump: http://nationalinterest.org/blog/paul-pillar/the-big-lie-foreign-policy-19183?page=show
A mudança
religiosa que gradualmente se faz sentir nos EUA:
Um artigo
indispensavel sobre a ascensão de Trump no GOP e as várias questões que o
sistema partidário norte-americano levanta: https://niskanencenter.org/blog/the-party-declines/
Jan-Werner
Muller e o “perigoso” discurso inaugural: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/jan/24/donald-trumps-warning-sign-populism-authoritarianism-inauguration
As “fake
news” não influenciaram os resultados eleitorais: http://www.the-american-interest.com/2017/01/24/study-lands-blow-against-fake-news-panic/
Na
Brookings, Daniel Byman identifica 7 assunções da Política Externa da nova
administração: https://www.brookings.edu/blog/order-from-chaos/2017/01/23/seven-trump-foreign-policy-assumptions/
O
Washington Post apresenta-nos a “estrutura” paralela que lidera a Casa Branca: https://www.washingtonpost.com/news/josh-rogin/wp/2017/01/19/inside-trumps-shadow-national-security-council/?utm_term=.8d83da5309b4
Eliot
Cohen e 5 razões que deviam contrariar a postura isolacionista de Trump: http://www.politico.com/magazine/story/2017/01/bad-arguments-foreign-policy-us-global-leader-role-isolationism-214687
Suzanne Nossel na Foreign Policy
destaca o assalto de Trump ao Iluminismo: http://foreignpolicy.com/2017/01/26/donald-trumps-assault-on-the-enlightenment-nea-neh-funding-cuts/
O Partido
Republicano entre o risco e a oportunidade, por Peter Berkowitz: http://www.realclearpolitics.com/articles/2017/01/25/trumps_gop_perched_between_risk_and_opportunity_132886.html
Os
finlandeses do FIIA comentam as falhas do pensamento de “foreign policy” de
Trump: http://www.fiia.fi/assets/publications/Comment3_America_Searching_for_Respect.pdf
“Debandada”
geral no Departamento de Estado: https://www.washingtonpost.com/news/josh-rogin/wp/2017/01/26/the-state-departments-entire-senior-management-team-just-resigned
A nova
“Internacional Populista” vista por Cas Mudde: https://www.nytimes.com/2017/01/26/opinion/the-radical-rights-united-front.html?smid=tw-nytopinion&smtyp=cur&_r=0
Steve Bannon conversou com o NY
Times e disse que os “media” se deviam calar: https://www.nytimes.com/2017/01/26/business/media/stephen-bannon-trump-news-media.html
4 estudantes da LSE sobre a ineficácia da “Madman theory” aplicada a Trump:
http://blogs.lse.ac.uk/usappblog/2017/01/26/trumps-foreign-policy-is-unlikely-to-benefit-from-a-madman-advantage/
Rússia
Um
magnífico perfil da personalidade politica de Vladimir Putin:
As
vulnerabilidades europeias face à Rússia:
O futuro
das relações EUA-Rússia, num report do CSS-ETH: http://www.css.ethz.ch/content/dam/ethz/special-interest/gess/cis/center-for-securities-studies/resources/docs/CNAS-Report-FutureofRussia-Final.pdf
Report da
Carnegie sobre o regime Russo:
A Rússia
de Putin é um Estado Fascista “moderado”: http://www.the-american-interest.com/2017/01/23/putins-russia-a-moderate-fascist-state/
China
A retirada dos EUA do TPP é um
“presente” para Pequim: http://www.atlanticcouncil.org/blogs/new-atlanticist/the-united-states-quits-tpp-a-gift-for-china
Relatório do Governo Chinês sobre
as suas actividades espaciais: http://www.scio.gov.cn/zfbps/32832/Document/1537024/1537024.htm
E uma análise do IDSA a esse
mesmo relatório: http://www.idsa.in/issuebrief/china-2016-space-white-paper_avlele_060117
A
substituição dos EUA na liderança global: https://theconversation.com/china-steps-up-as-us-steps-back-from-global-leadership-70962
Dan Drezner e a China como Grande
Potência Liberal: https://www.washingtonpost.com/posteverything/wp/2017/01/24/why-china-will-be-able-to-sell-itself-as-the-last-liberal-great-power/
Uma análise do “Asia Times” à
China como líder desta Ordem Internacional Liberla: http://www.atimes.com/china-leader-global-liberal-order/
Vários
O “Plano Marshall” Alemão para
África: http://www.atlanticcouncil.org/blogs/new-atlanticist/germany-s-marshall-plan-for-africa
A fundação Obama:
https://www.obama.org/
“Global Militarization Index
2016” do BICC: https://www.bicc.de/uploads/tx_bicctools/GMI_2016_e_2016_01_12.pdf
Chomsky e as interferências dos
EUA em eleições: http://www.truth-out.org/opinion/item/39159-noam-chomsky-on-the-long-history-of-us-meddling-in-foreign-elections
Os Partidos “Piratas” e a sua
eventual relevância política: http://www.ecfr.eu/article/commentary_are_pirate_parties_relevant_to_european_politics_7221
The
political use of psychiatry: A comparison between totalitarian regimes,
Buoli, Massimiliano; Giannuli, Aldo Sabino, International Journal of Social Psychiatry (Online first):
Entrevista no Valdai com
académico Indiano sobre a Estratégia da Índia para se tornar uma
“superpotência”: http://valdaiclub.com/multimedia/video/pankaj-kumar-jha-on-india-s-superpower-strategy/
A “Transatlantic Academy” elabora
uma análise sobre a necessária postura alemã numa era de incertezas: http://www.transatlanticacademy.org/sites/default/files/publications/Froehlich%20-%20Berlin's%20New%20Pragmatism.pdf
9º “Preventive Priorities Survey”
do CFR: http://i.cfr.org/content/publications/attachments/CFR_CPA_Preventive_Priorities_Survey_2017.pdf
Acompanhamento diário do CFR
sobre conflitos globais: http://www.cfr.org/global/global-conflict-tracker/p32137#!/
Índex do “The Economist” sobre a
Democracia em 2016, intitulado “a revolta dos deploráveis”: http://www.eiu.com/Handlers/WhitepaperHandler.ashx?fi=Democracy-Index-2016.pdf&mode=wp&campaignid=DemocracyIndex2016
Índex da “Transparency
International” sobre percepções de corrupção em 2016: http://www.transparency.org/news/feature/corruption_perceptions_index_2016
A LSE analisa 2 anos do Syriza: http://blogs.lse.ac.uk/europpblog/2017/01/26/syriza-two-years-in-power
10º Índex da Universidade de
Pennsylvania sobre “Think Tanks”: http://repository.upenn.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1011&context=think_tanks
12º
“Global Risks Report” do World Economic Forum: http://espas.eu/orbis/sites/default/files/generated/document/en/GRR17_Report_web.pdf
Sobre o Holocausto e o perdão,
visto por um académico Judeu: https://theconversation.com/exploring-the-complexities-of-forgiveness-71774
Viktor Orbán, a Hungria e a crise
Europeia: http://www.hungarianreview.com/article/20170124_hungary_and_the_crisis_of_europe
O ECFR aborda o Iraque e Líbia no
pós-“Estado Islâmico”: http://www.ecfr.eu/publications/summary/after_isis_how_to_win_the_peace_in_iraq_and_libya_7212
Teoria
das Relações Internacionais
Os populistas “anti-corrupção”
tendem a ser mais corruptos: https://foreignpolicy.com/2017/01/25/anti-corruption-populists-tend-to-be-more-corrupt-report-says/
“Handbook”
do ISS, “The EU and the World: players and policies post-Lisbon”: http://www.iss.europa.eu/uploads/media/EU_Handbook.pdf
Conferência da APSA, dedicada a
Unipolaridade e a Nova Ordem Mundial, a Setembro de 2016, junta Ikenberry,
Walt, David Lake, Nuno Monteiro e Jennifer Lind: https://www.youtube.com/watch?v=-dw2xe95-eg
Quando em 1940, Churchill tentou
uma União Europeia com a França: http://blogs.lse.ac.uk/politicsandpolicy/britain-and-the-first-attempt-to-build-a-european-union/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+BritishPoliticsAndPolicyAtLse+%28British+politics+and+policy+at+LSE%29
Teoria
Crítica interpreta o mandato do novo POTUS: Donald Trump: A Critical
Theory-Perspective on Authoritarian Capitalism, Fuchs, Christian na
Communication,
Capitalism
& Critique, 15 (1), 1-72, 2017:
Mearsheimer e Bacevich analisam a
política dos EUA no Médio Oriente: http://lobelog.com/bacevich-and-mearsheimer-on-u-s-policy-in-the-middle-east/
Estudo da Carnegie sobre a
aliança entre os EUA e o Japão no pós-Guerra Fria:
Richard
Haass e a Ordem Mundial 2.0: https://www.project-syndicate.org/commentary/globalized-world-order-sovereign-obligations-by-richard-n--haass-2017-01
As 8
“grandes” Potências, Walter Russell Mead e Sean Kelley: http://www.the-american-interest.com/2017/01/24/the-eight-great-powers-of-2017/
A LSE
disponibiliza de forma gratuita uma colecção de ensaios e pesquisas do “journal” “Cold War History”, dividida em quatro temas: América Latina, a
Alemanha, a China e JFK: http://www.lse.ac.uk/IDEAS/Projects/CWSP/journal.aspx
“Paper” do
Valdai sobre a incerteza e os desafios da economia mundial: http://valdaiclub.com/files/13054/
Vídeos
Conferência
de Richard Haass, na Politics and Prose, sobre o seu novo livro: “A World in
Desarray”: https://www.youtube.com/watch?v=zjwv7ZK6iYY
Fukuyama e outros, sobre o Liberalismo
na época de Trump: http://www.transatlanticacademy.org/press-release/%5Bfield_press_date-date%5D/yascha-mounk-tvo-fukuyama-and-gu%C3%A9rot
Trump dirige-se aos membros Republicanos
do Congresso no “retreat” do GOP em Philadelphia: https://www.youtube.com/watch?v=4X08l2m_fCg
Theresa May no mesmo evento: https://www.youtube.com/watch?v=U_inbYxXAT8
Trump: uma tragédia Americana?
Debate na intelligence2 com Anne Applebaum, Ted Maloch (possível embaixador de
Trump na EU) entre outros: http://www.intelligencesquared.com/events/trump-an-american-tragedy/
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