quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A China



E agora, Ordem Internacional Liberal?



Depois do Mundo constatar que não existem super-heróis que o salvem do novo inquilino da Casa Branca, que a senhora Merkel está somente preocupada com a maçada das eleições domésticas e que a chamada União Europeia não consegue sequer conter o embaraço do senhor Orbán quanto mais Trump, criaturas inteligentes parecem agora olhar para a China ansiosas de salvação terrena e paz celestial.



São-nos dados argumentos em todas as vertentes, que parecem confirmar a postura de liderança de Pequim na “Global Governance”:



Financeiramente, desde Outubro de 2016 que o renminbi consta das moedas do “cabaz” do FMI, juntando-se aos “quatro magníficos” Dólar, Euro, Libra Esterlina e Iéne Japonês, permitindo diversificação monetária e simplificação internacional comercial;



Economicamente, acena com o RCEP, que serve de apelo a países alijados por Trump do TPP, e pode agregar 30% do PIB mundial e mais de 3 mil milhões de pessoas; criou um Banco internacional ao qual aderiram muitos aliados naturais dos EUA, e promove a nova “Rota da Seda”, um gigantesco programa de desenvolvimento de ligações e infra-estruturas por vias marítima e terrestre em mais de 60 países, em quatro continentes;



Internacionalmente, diminuiu as suas agressivas políticas de extracção de recursos em África, apostando antes em parcerias mais “justas” e é actualmente o maior produtor e consumidor global de energias renováveis, além de manter uma postura de constante diálogo e compromisso em vários fora.



Na recente cimeira de Davos, que pela primeira vez contou com um líder chinês, Xi Jinping fez notar, além do habitual aborrecimento de soberania com as questões do Mar do Sul da China, a necessidade do mundo não se deixar influenciar ou contagiar com o isolacionismo do novel presidente norte-americano.



Pelos vistos, Pequim vai de facto a caminho de ser um exemplo.



Apesar da bondade do pensamento, ganharíamos todos em perceber que a China é uma potência revisionista (como qualquer Grande Potência) mas temporariamente acomodada.

O “Império do Meio” anseia, embora com paciência e cautela estratégica milenares, que os EUA e a “Ordem Internacional Liberal” sucumbam, e são os únicos com recursos e capacidades para disputar e substituir a primazia norte-americana.

Não por temerem que estes lhes disputem parcelas territoriais insignificantes e questionáveis, porque isso tal como Taiwan, não irá causar a 3ª Guerra Mundial.



Com todas as desgraças e crises que a tal “Ordem” tem causado, as prementes necessidades de reflexão e uma indispensável redefinição de lideranças e politicas, não é de somenos assinalar que foi esta “ordenação” a conseguir feitos notáveis em termos políticos, económicos e sociais, sem a eclosão de nenhum conflito entre as Grandes Potências desde 1945.



O regime de Pequim assenta numa liderança autoritária de cariz nacionalista e agora de facto assente num novo (e sóbrio) culto da personalidade de Xi, que dispensou a colegialidade decisória.

Os temores que incomodam a China não são as eventuais escaramuças militares ou económicas, pois há muito percepcionaram que quando necessário, a comunidade internacional saberá aplacar os seus estados de espírito, ou as suas urgências.



Aquilo que nem Xi nem o seu círculo mais íntimo podem prescindir é do poder.

O poder de manter a liderança do Partido e do Estado que conduzem uma economia capitalista dirigista e comandam umas forças armadas fanaticamente nacionalistas.

Porque isso constituiria, actualizando a citação de Putin, a “maior calamidade geoestratégica” do século 21, e a precipitação da China numa decadência que lhe foi poupada por aqueles que agora, suplicam a Trump que perceba os disparates que pode causar, nem que seja por omissão.
Se há coisa que as Relações Internacionais e os seus actores, não aceitam nem entendem, é o vazio.

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