terça-feira, 25 de abril de 2017

Links da Semana



Links da Semana

Alemanha

China
Gordon Chang, a China perdeu o controlo sobre a Coreia do Norte?:
A região de Xinjiang e os riscos à segurança interna Chinesa: http://securityobserver.org/xinjiang-a-threat-to-chinese-national-security/

Coreia do Norte

Israel-Palestina

Será Barghouti o Mandela palestiniano?

http://forward.com/opinion/israel/369478/is-marwan-barghouti-the-palestinian-nelson-mandela/


Médio Oriente
Edição conjunta do New-Med-IAI-GMF: A fragilidade da autoridade no Médio Oriente: http://www.iai.it/sites/default/files/newmed_authority.pdf

Populismo

Rússia
Relatório de Mark Galeotti sobre como o Kremlin utiliza as redes criminosas na Europa: http://www.ecfr.eu/page/-/ECFR208_-_CRIMINTERM_-_HOW_RUSSIAN_ORGANISED_CRIME_OPERATES_IN_EUROPE02.pdf
A Rússia, os seus aliados e a situação geopolítica na Eurásia: http://valdaiclub.com/files/14101/

Terrorismo
Interpretação crítica do número de acusações de terrorismo nos EUA desde o 09.11: https://trial-and-terror.theintercept.com/

Trump

Administração
As personagens e as facções da “Guerra civil” entre Bannon e Kushner: http://www.vanityfair.com/news/2017/04/jared-kushner-steve-bannon-white-house-civil-war
Trump agora “adora” os assessores da administração W. Bush:
Kissinger elogia Kushner que é eleito pela Time a 100ª personalidade mais relevante do mundo: http://www.slate.com/blogs/the_slatest/2017/04/20/henry_kissinger_gives_jared_kushner_an_a_for_effort_in_his_times_most_influential.html
A verdadeira agenda de Trump, desregular e auxiliar as grandes corporações: http://www.newyorker.com/news/john-cassidy/the-real-trump-agenda-helping-big-business

Defesa e Política Externa
David Frum e a noção que Trump tem da ordem internacional, em particular face à Europa: https://www.theatlantic.com/magazine/archive/2017/05/the-plan-to-end-europe/521445
William Perry, ex-secretário da Defesa de Obama e como fazer um acordo com a Coreia do Norte:
Stephen Walt, a “bolha” de Washington também vai engolir Jared Kushner:
Vice-presidente da Heritage defende na National Interest que Trump tem de facto um método e uma estratégia: http://nationalinterest.org/feature/trump-has-foreign-policy-strategy-20284
Os 100 dias iniciais da administração Trump na Politica externa, por Aaron David Miller e Richard Sokolsky, na Politico: http://www.politico.com/magazine/story/2017/04/24/trumps-foreign-policy-100-days-of-global-bafflement-215066
O presidente do Center for a New American Security sobre o facto de Trump não “necessitar” de uma Doutrina com o seu nome:

Paul Wolfowitz entrevistado pela Politico e optimista acerca de Trump.

Entrevista condensada:

http://www.politico.com/magazine/story/2017/04/24/paul-wolfowitz-donald-trump-iraq-middle-east-215065

Entrevista na íntegra:

Timothy Snyder e Putin, o amigo imaginário de Trump:
Pentágono inicia revisão periódica da política nuclear: http://edition.cnn.com/2017/04/17/politics/trump-nuclear-posture-review/
Hackers sugerem que NSA tentou aceder ilegalmente ao sistema bancário SWIFT:

“Trumpismo”
No Washington Post, um professor de Ciência Política defende que o Racismo influiu mais na eleição de Trump do que o Autoritarismo dos eleitores: https://www.washingtonpost.com/news/monkey-cage/wp/2017/04/17/racism-motivated-trump-voters-more-than-authoritarianism-or-income-inequality
Os candidatos presidenciais nos EUA apresentam uma plataforma isolacionista e governam como “falcões”:
Morris Fiorina analisa as controvérsias e os dados resultantes da eleição de Trump: http://www.hoover.org/sites/default/files/research/docs/fiorina_presidentialelection-webreadypdf.pdf
Será que Trump “roubou” argumentos a pós-modernistas?: https://www.nytimes.com/2017/04/17/opinion/has-trump-stolen-philosophys-critical-tools.html
David Remnick na New Yorker e os 100 dias de Trump: http://www.newyorker.com/magazine/2017/05/01/a-hundred-days-of-trump
Pat Buchanan e o “pré-Trumpismo” em entrevista de vida na Politico: http://www.politico.com/magazine/story/2017/04/22/pat-buchanan-trump-president-history-profile-215042
Gary Cohn, o homem por quem Trump “trocou” Bannon: https://www.thenation.com/article/president-bannon-is-dead-long-live-president-cohn/
Rick Perlstein, académico que estuda a “Direita norte-americana” e como Trump “abalou” o seu conhecimento: https://www.nytimes.com/2017/04/11/magazine/i-thought-i-understood-the-american-right-trump-proved-me-wrong.html
Resposta de David Frum ao artigo de Rick Perlstein:
 Entrevista da Politico a Michael Anton, adepto de Maquiavel, conselheiro de Trump e um dos intelectuais do Trumpismo:

A entrevista na integra: http://www.politico.com/magazine/story/2017/04/michael-anton-the-full-transcript-215029


Turquia
Análise do “Hurriyet” sobre o referendo turco a divisão cada vez maior entre Anatólia e as “metrópoles”:

União Europeia
A Europa Central e a atracção pelo Autoritarismo: https://euobserver.com/opinion/137580
Artigo do CEPS que defende o termino do processo negocial da UE com a Turquia: https://www.ceps.eu/publications/why-eu-should-terminate-accession-negotiations-turkey

TRI/CP
Ikenberry e o revisionismo de Trump face à Politica Externa norte-americana e à Ordem Internacional Liberal: https://www.foreignaffairs.com/articles/united-states/2017-04-17/plot-against-american-foreign-policy
Colgan e Keohane sobre como evitar a erosão da Ordem Internacional Liberal e fazer face aos populismos:
Onde se discute se um intelectual e académico deve (e como) intervir na administração (Kissinger e Morgenthau): http://nationalinterest.org/feature/kissingers-moral-example-20225?page=show

Report do Atlantic Council sobre três ameaças (proteccionismo, crises energéticas e escassez recursos alimentícios): “Our World Transformed: Geopolitical Shocks and Risks”: http://www.atlanticcouncil.org/images/publications/Our_World_Transformed_web_0421.pdf

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Trump e a candidatura de 2016



Os acasos que se dão nas arenas políticas nacionais e internacionais não existem.



As coisas em si, mesmo que num enquadramento Platónico ou Hegeliano, ou dos outros quinhentos autores que vislumbram na História um progresso constante num racional que caminha para a felicidade suprema da Humanidade, são como pareidolias que julgamos encontrar nas nuvens.



A fascinação ora com estruturas históricas e sociais ora com a negação das mesmas apostando antes na agência individual e a discussão em torno da importância que a Filosofia da Ciência atribui a estes significados, fazem-nos esquecer os inúmeros “game changers” a que estamos sujeitos, e que não se sujeitam a construções académicas que tentam captar sistematicamente toda a realidade em teorias parcimoniosas.






Assim e na sequência do muito que se tem escrito sobre Trump, convém esclarecer um tema que não tem merecido atenção suficiente nas milhentas abordagens que se fazem em torno do actual Presidente dos EUA.



Se já anteriormente tentámos identificar o percurso intelectual do multimilionário e a agenda que visa implementar, antagonizando algum do consenso que faz do inquilino da Casa Branca um mero vilão acéfalo, faltou-nos contudo responder a algo que é imprescindível para continuarmos este exercício de compreensão trumpiano.






O que levou um homem de 70 anos, multimilionário e cosmopolita a candidatar-se à Presidência da República?

Em 16 de Junho de 2015, dia desse anúncio em discurso na Trump Tower (profetizado anos antes num episódio dos “Simpsons”) foram avançadas várias hipóteses.

Um abraçar radical do discurso do Tea Party, um chamamento da América profunda e escondida que detesta Washington como escreveu Levin, a resposta ao declínio internacional dos anos Obama, uma irascível resposta ao politicamente correcto ou a oportunidade única de derrotar uma mulher elitista liberal.






Lamentamos mais uma vez desagradar quer aos que ainda procuram respostas para a vitória Trumpiana (sociológica, económica, estatística) quer aqueles que tentam e desejam uma resistência instrumental face aos factos, como se a actual administração fosse cair devido a uma eventual delação de Mike Flynn (que não vai existir), a um levantamento popular em massa (que já se viu ninguém – Partido Democrata - ter paciência ou talento para executar) ou à evidencia e confrontação da “realidade” (e que tal como as anteriores não se deu).






Donald Trump candidatou-se de forma efectiva em 2016 porque nunca teria oportunidades concretas de ganhar antes.



Esta é a resposta factual, e axiomaticamente simples, à questão efectuada.

Mas dissequemos os pontos que validam esta asserção.






O multimilionário de Nova Iorque ensaiou concorrer a primárias em 2000 pelo Partido Reformista (um dos inúmeros “terceiros partidos” que pululam nos EUA) e várias “brincadeiras” prospectivas em 1988, 2004 e 2012.

Em todas estas promessas políticas Trump surgiu com boas sondagens e significativa capacidade económica para concretizar essas intenções em qualquer embrião partidário com um relativo grau de sucesso, pelo menos para aparecer nos boletins de voto.

Mas ao contrário do que se julga, Trump não é um desequilibrado cata-vento, antes um poderoso avaliador dos momentos, sejam económicos ou políticos.

Consideremos então os contextos e percebamos mais um pouco de como funciona a cabeça do Presidente.






Nos últimos 40 anos, a única anomalia que surgiu nas eleições presidenciais norte-americanas foi a vitória do Democrata Bill Clinton, quando se confrontou com a recandidatura de um presidente em exercício, George Bush, em 1992.

Essa irregularidade deveu-se aos números conseguidos por Ross Perot que “roubaram” votos ao ex-vice de Reagan.

Exceptuando este episódio sísmico o tempo demonstra à saciedade uma estratégia de apresentar recandidaturas com sucesso (Reagan, Clinton, Bush filho e Obama) ou não (Carter) e adversários que ora foram vices das administrações anteriores (Mondale, Bush pai, Gore) ora saídos do “establishment” (Dukakis, Dole, Kerry, Romney e McCain).






Donald Trump teve intenções exploratórias em 1988, 2000, 2004 e 2012.



Em 1988, quem concorreu pelos Republicanos foi George Bush pai, vice-presidente cinzento em dois mandatos do expansivo e mítico Reagan, a quem se adivinhou desde cedo a vitória face ao liberal do Massachusetts, Michael Dukakis, que foi esmagado em 40 Estados.



Em 2000, Trump tentou descobrir se o ambiente que Perot havia lançado em 1996 teria alguma onda que lhe permitisse cavalgar em 2002, onde se digladiariam Bush filho e Al Gore.

Nessa candidatura, Trump chegou a desejar Oprah Winfrey como Vice e fez comparações entre Hitler e o seu rival interno nas primárias do Reform Party, o paleoconservador Pat Buchanan que anos antes tinha emulado um discurso ao estilo de Enoch Powell em plena Convenção Republicana.

No entanto, os campos Republicano e Democrata estavam unidos em torno dos seus candidatos “institucionais”, um Bush filho que com toda a estrutura partidária e de “foreign policy” derrotou na altura um “maverick” chamado John McCain e um vice-presidente de Clinton, sem charme nem graça, Al Gore, interessado em salvar o mundo e o universo e apaixonado pelas novas tecnologias, mas incapaz de dar um beijo com convicção apaixonada à mulher no fecho da Convenção democrata, em cena que marcou de forma indelével a sua imagem como um autêntico “stiff”.






Em 2004 e 2012, quer George W. Bush quer Barack Obama recandidataram-se.



Nos respectivos campos rivais surgiram figuras que em seu torno exibiam o pleno interno concordando com a sua agenda, demonstrando que desde Clinton, o poder estava de facto concentrado num campo muito delimitado de escolhas e alternativas, inibindo qualquer tentativa agencial de disrupção, como apenas podemos encontrar na vitória de Obama face a Hillary Clinton, nas primárias dos Democratas em 2008.






Chegamos então a 2016.

Joe Biden, vice-presidente de Obama, não apresentou por razões pessoais a sua candidatura, e o partido da “esquerda” norte-americana ficou dividido em duas frentes.

Uma liberal-institucional representada por Hillary Clinton e outra populista-progressista do veterano senador socialista Bernie Sanders.

O campo republicano era então a única e a última hipótese que Trump tinha efectivamente de se candidatar a Presidente dos EUA.

E de o fazer com sucesso.






O Partido Republicano após a derrota de 2012, realizou um estudo em jeito de “autópsia política” para perceber o que motivou a derrota em duas eleições presidenciais e como desmanchar uma narrativa consolidada na qual o GOP estaria inexoravelmente entrincheirado em perdas sucessivas e constantes, devido à mudança demográfica nacional.

Esse plano previa mudanças estruturais na abordagem política promovendo apelos às minorias étnicas, deixar de marginalizar como anátemas os temas sociais fracturantes, e reformular a imagem eterna de “country club” que a elite republicana representava.






Mas o Partido Republicano que existia em 2016 tinha no seu “bas-fond” figuras como o senador conservador Jeff Sessions e o padrinho da tenebrosa “alt-right” Steve Bannon que em várias sessões de “brain storming” perspectivaram a marcha fúnebre para o relatório que patrocinava um GOP mais distendido e inclusivo.



A captação do voto branco (ausente em 2012 e apto a ser articulado face aos descontentamentos económicos, sociais e culturais de vastas comunidades que inclusive votaram em Obama) e a construção de um enredo que agregasse o apogeu de um excepcionalismo norte-americano de cariz exclusivista e o reconhecimento de uma degradação do papel dos EUA no mundo (reforçando o papel dos “neocon” da administração Bush) adicionados ao ódio visceral que a população (dividindo até o eleitorado Democrata) tinha para com Hillary, esperavam um candidato no partido que já fora de Abraham Lincoln e Ronald Reagan.






O campo republicano acentuava uma clara viragem do “compassionate conservatism” de Bush filho e liquidou toda e qualquer herança da sobrextensão imperial (mesmo que em jeito de promoção democrática universal e “regime change”) que Cheney e Rumsfeld desenharam, permitindo que uma vasta gama de candidatos surgisse.



Nessa amálgama que exibiu republicanos de todos os quadrantes feitios, o momento era propício para Trump dilacerar o “status quo”, derrotar um frágil Jeb Bush (“o” candidato) ou promessas como Rubio e Cruz, cuidando de impedir que os sucessivos desistentes atassem uma resistência conjunta tais as feridas que se abriam, além de beneficiar dos milhões e recursos científicos de Bob Mercer.






Não foi necessária uma extensa leitura política nem estragarmos a nossa reputação para a posteridade (como o fez Maquiavel, escrevendo sobre absolutas verdades) de forma a considerar na candidatura de Trump uma junção de avaliação do momento e critério de oportunidade.

Não existe grande mistério, nem decerto (embora plausível, duvidamos) “empurrão” russo, menos ainda uma adaptação ideológica ao contexto nacional (Trump teve os mesmos, de forma heterodoxa durante décadas).

A verdade é lamentavelmente, menos atraente.

Mas melhor compreendida para quem vive e vê o mundo como um negócio.

Momento e oportunidade.

Nada mais.





...


Links da Semana



Coreia do Norte

John Feffer sobre o que quer (ou pode) Kim Jong Un: http://lobelog.com/what-does-kim-jong-un-want/#more-38841



França

As escolhas e decisões em matéria de Defesa para o próximo presidente Francês:




Populismo


A morte não anunciada da Democracia, Carothers e Youngs na Foreign Affairs:




Rússia






Síria

A família Assad e a sua relação com 9 presidentes dos EUA:




Trump



Administração





Defesa e Política Externa



Graham Allison, Podem os EUA e a China escapar à “armadilha tucidideana”: http://nationalinterest.org/feature/how-america-china-could-stumble-war-20150

Tiago Moreira de Sá e o que pode a administração Trump fazer face à ameaça da Coreia do Norte: https://www.publico.pt/2017/04/14/mundo/noticia/coreia-do-norte-o-rato-que-ruge-1768697

Gideon Rachman no Finantial Times, como a “bolha” de Washington engoliu Trump: https://www.ft.com/content/633daa7a-1dc5-11e7-b7d3-163f5a7f229c (ver em janela privada no browser)

Paul Pillar e a intervenção de Trump na Siria: http://lobelog.com/syria-and-the-call-of-the-quagmire/#more-38754

A acção de Trump na Síria visa silenciar críticas internas: https://www.thenation.com/article/six-thoughts-on-the-us-bombing-of-syria/



7 notas sobre o ataque de Trump à Síria, por David Frum, ex-speechwriter de W. Bush: https://www.theatlantic.com/politics/archive/2017/04/seven-lessons-from-trumps-syria-strike/522327/



Assessor de Trump defende partição da Líbia em três regiões: https://www.theguardian.com/world/2017/apr/10/libya-partition-trump-administration-sebastian-gorka

Fyodor Lukyanov e o cada vez mais expectável conflito entre os Estados Unidos e a Rússia na Síria: http://www.huffingtonpost.com/entry/us-russia-conflict-syria_us_58ebfeafe4b0df7e2044a210?al&section=us_world


A política externa imprevisível (incoerente para os aliados) de Trump:


Report do Bipartisan Policy Center, “Princípios para uma nova estratégia dos EUA no Médio Oriente”: https://bipartisanpolicy.org/wp-content/uploads/2017/04/Seeking-Stability-at-Sustainable-Cost.pdf



Turquia

A junção na Turquia de Erdogan entre o AKP, o Governo e o Estado turco: http://internacional.elpais.com/internacional/2017/04/06/actualidad/1491491612_518593.html



União Europeia

Moravcsik acredita e tenta evidenciar que a Europa ainda é uma superpotência: http://foreignpolicy.com/2017/04/13/europe-is-still-a-superpower




TRI/CP


Reimaginar o Médio Oriente, por Chas Freeman ex-embaixador na Arábia Saudita: http://lobelog.com/reimagining-the-middle-east-2/

Quatro conflitos (Nigéria, Sudão do Sul, Iémen e Somália) que põem 20 milhões em risco de morrer à fome: https://www.washingtonpost.com/graphics/world/2017-famines/?utm_term=.75345009f187
 


 



quarta-feira, 12 de abril de 2017

Trump e a teoria do actor racional



Façamos dois exercícios.
Ignoremos que em três meses, desde a sua eleição, o actual Presidente dos EUA já foi e disse tudo e o seu contrário e afastemos a preocupação com a (eventual) agenda interna.
Centramos assim atenções para o que sucede actualmente no plano internacional.


Os EUA são a maior potência global, com uma situação geográfica que oferece uma protecção natural invulgar.
Militar, económica, demográfica e culturalmente têm hegemonia face a qualquer outro país, mesmo considerando a expansão chinesa, dependente que é do comércio internacional para manter níveis de crescimento adequados para a população, mantendo-a satisfeita com a “prestação de serviços” do regime.

No discurso da União de 2002 (meses após o 11.09) George W. Bush enunciou as ameaças aos EUA como o “Eixo do Mal”, do qual faziam parte Iraque, Irão e a Coreia do Norte.
A primeira parte dessa equação (em conjunto com o Afeganistão e a Líbia) foi “resolvida” com a messiânica oferta do remédio da “democratização”, com os trágicos resultados que se sabem.
As “inimizades” norte-americanas têm merecido actualizações constantes.
Políticos, intelectuais e think-tanks, neoconservadores e “falcões” em termos de política externa, além do habitual “aliado” israelita, comungam particular e comum atenção à Síria e Irão.


Obama deixou uma “confusão” espalhada pelo mundo, segundo Trump.
E como pretende o multimilionário arrumar a problemática arena internacional?
Elenquemos factos.
Trump recebe Xi Jinping e apresenta à sobremesa um ataque aos sírios motivado por um (ainda não investigado) ataque químico atribuído às forças de Assad, além de “tweetar” que eventuais acordos comerciais dependem das contrapartidas e acções de Pequim para com a Coreia do Norte.
Sean Spicer, o porta-voz da Casa Branca, referiu hoje que Pyongyang não tem sequer capacidades ou tecnologia disponíveis para se tomarem como sérias as suas ameaças nucleares.
O Secretário de Estado, Rex Tillerson, considera indispensável a saída de Assad do poder (ainda há dias dizia o oposto) e constrange a Rússia a aceitar este axioma, além da imprudente continuação da expansão da NATO a Leste, agora com o Montenegro, o que só contribui para ampliar a histórica paranóia de Moscovo.


Será racional pressionar a Rússia na sua periferia e na Síria, aliado com raízes históricas e razões geoestratégicas óbvias?
Ou envolver a China num diálogo que não respeita a sua cosmovisão ancestral e a forma conservadora como vislumbra os negócios internacionais?
Nem a Síria nem a Coreia do Norte são ameaças existenciais aos Estados Unidos da América, enquanto que Moscovo e Pequim têm capacidades militares efectivas para tal.
A MAD (Destruição Mútua Assegurada) que garantiu em derradeira instância, pela irreversibilidade do fim, a “continuidade” do mundo na bipolaridade, parece agora, nesta “unipolaridade versátil”, ser um “elefante” na sala, que todos fingem não dar conta.


A tomada de decisão em política (externa) incide sobre uma multiplicidade de factores que a academia tem tratado, embora exista um debate “aberto” em torno dos modelos que tentam explicar o crucial: porque o actor x toma a posição y?
Das várias teorizações a este propósito, a do “actor racional” parece a mais atendível à personalidade e carreira de Trump.
Nessa concepção, o decisor colocado perante determinada questão e face a um conjunto de soluções possíveis, equaciona cada uma delas de acordo com a sua eficácia, escolhendo depois a que visa, expectavelmente, maximizar benefícios e minimização de prejuízos.


Equacionemos então os problemas.
Um Médio Oriente revolto e enredado em conflitos com consequências humanas devastadoras e uma Coreia do Norte de cariz Estalinista neurótico com o maior exército do mundo e armamento nuclear.
As situações no Médio Oriente não são resolúveis com o afastamento da Rússia, nem se encontram respostas para a crise coreana marginalizando os chineses.
Já as operações de “regime change”, resultaram na desestabilização regional, destruição do aparato institucional e estatal e dos tecidos produtivos e económicos nacionais, além da deslocalização forçada de milhões de pessoas.
É igualmente impossível conter o terrorismo à escala global sem integrar Moscovo e Pequim.
A hipotética adopção de uma espécie de orquestração Nixoniana de “Mad Man” seria lógica (mas perigosa) com uma linha condutora da política externa (ausente) e em ambiente de bipolaridade estável (inexistente).
Mais grave do que estas lamentáveis asserções é a constatação da passagem abrupta de enunciados isolacionistas (errados) para a cedência (intelectualmente ainda inexplicável) de uma agenda anunciada há décadas.


Em qualquer decisão política é imperioso deixar saídas abertas para recuos estratégicos ou diplomáticos.
Trump caminha por um trilho que parece esquecer isso.

terça-feira, 11 de abril de 2017

O mito da psicopatologia do terrorismo



Por: Joana A. Lopes, Mestranda em RI, FCSH-UNL

O terrorismo é um produto de diversos fatores interelacionados e que variam contextualmente. Apesar da miscelânea de motivos ou categorizações, podemos dividir as causas do terrorismo em dois grupos gerais.
Os fatores contextuais (relativos ao contexto político, económico ou social em que determinado grupo ou indivíduo se insere) e os fatores individuais (aqueles do foro psíquico, respeitantes ao carácter e personalidade de um indivíduo).

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São os segundos que nos merecem aqui pormenor e detalhe.
Do ponto de vista psicológico, quais são as causas do terrorismo? Diversas, não consensuais, mutáveis, personalistas.
Frustrante? Sim, especialmente para os principais atores em matéria de contraterrorismo como as forças de segurança e serviços de intelligence. Todavia, podemos identificar alguns aspetos relativamente comuns entre os “terroristas”.

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Mas atendemos à história. 
O início das primeiras investigações psicológicas sobre este tema remonta a finais de 1960 estendendo-se até meados da década de 80 onde as alegadas causas do fenómeno se sustentavam na ciência da “psicopatologia do terrorismo”.
Com base em especulações clínicas e nas teorias da Psicologia como a Psicánalise freudiana, a privação relativa de Ted Robert Gurr (relação entre frustração e agressão) ou o narcisismo, a violência terrorista era essencialmente um produto de um comportamento desviante, “por motivos inconscientes e impulsivos, que teriam as suas origens na infância” (Borum, 2004).
Mais do que um foreign fighter (os anos 60 legitimavam o uso desse rótulo pela importância da luta anticolonialista), o terrorista era sobretudo - aos olhos dos psicólogos e criminalistas - um “psicopata”.

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Com base neste panorama, várias foram as tentativas de elaborar “tipologias” de classificação.
Como pioneiros nesta matéria aparecem os nomes dos psiquiatras Frederick Hacker (1976) e também do ex-agente da CIA, Jerrold Post (1980).
Entre “cruzados”, “crazies”, “anarquista-ideológico”, “nacionalista secessionista” ou “criminais”, as designações pareciam relevar alguma lógica dadas as investigações prévias.
Similarmente, vários analistas e psiquiatras tentaram formular um “perfil de terrorista”.
Um dos estudos mais conhecidos para o propósito é o de Russel e Miller (1977) onde pela análise do cadastro de mais de 350 indivíduos com ligaçoes a organizações terroristas ativas entre 1966-1976 de 18 países diferentes, delinearam um protótipo: “young (22-25), unmarried male who is an urban resident, from a middle-upper class family, has some university education and probably held an extremist political philosophy”.

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Todavia nem as propostas dos psiquiatras nem os esforços para esboçar um determinado “perfil”, obtiveram o sucesso desejado, sendo rejeitados pela comunidade científica e académica.
A psicopatologia é hoje uma ideia largamente desacreditada, sendo encarada como um mito.
Embora os “terroristas” cometam atos supostamente típicos de um “psicopata”, as investigações científicas posteriores demonstraram não existirem indícios que o confirmem.
Entre outros aspetos, enquanto os terroristas têm vínculos a uma determinada ideologia (estando dispostos a sacrificar-se por tal) ou a outros indivíduos que partilhem dos mesmos princípios, os psicopatas não possuem as mesmas disposições.
O terrorista é racional, faz uma escolha deliberada e intencional e as suas personalidades são consideráveis estáveis, não existindo indícios (empíricos) de abuso de substâncias ou tentativa de suicídio prévio.

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Atualmente, os conceitos chave para entender os fatores individuais (isto é, que levam indivíduos a juntar-se a determinados grupos ou a desenvolver atos de natureza terrorista) são o “motivo” (emoção, desejo, necessidade psicológica ou impulso) e a “vulnerabilidade” (suscetibilidade, tentação).
A literatura aponta três fatores proeminentes: (1) a perceção de injustiça ou humilhação; (2) a necessidade de ter uma identidade estável ou desejo de status-quo e (3) a necessidade de pertença.
Martha Crenshaw (1985) acrescenta também “a oportunidade para a ação” e a “aquisição de uma recompensa material”

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Sem surpresa, atualmente preferem-se abordagens multidimensionais, que combinem elementos psicológicos e contextuais.
Tendo em conta as evidências científicas, a ideia da psicopatologia – apesar de muito tentadora - deve ser afastada.
Se eventualmente considerada, deverá requer um olhar mais atento e prudente, devendo ser sustentada ou completada com uma análise contextual.
As causas do uso da violência são personalistas e nem todos os indivíduos que têm intenção em perpetrar atos terroristas ou afetos a ideologias extremas levam a cabo esses atos.
Assim, é também prudente afastar ideias fatalistas como a de Ayaan Hirsi Ali para a qual a adesão à jihad é sempre antecedida pela dawa (um processo de radicalização não violento mas tóxico que transforma um criminoso banal num zelota).

A autora adota o Acordo Ortográfico.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Trump e o ataque à Síria



Quem segue este Pasquim e leu atentamente os últimos parágrafos do recente texto “Trump, o Centauro” encontra no Imperialismo Isolacionista uma definição que abarca explicações para o comportamento internacional do actual Presidente dos EUA.

No entanto, e face ao bombardeamento de uma base do exército de Assad, convém perspectivarmos algo mais na actual espuma dos dias.


Desde a sua tomada de posse Trump teve vários constrangimentos.
Foi derrotado na proposta de substituição do Obamacare e nas ordens executivas que impediam a entrada de refugiados e imigrantes oriundos de certas geografias.
O seu nomeado para o Supremo foi objecto de contestação.
Mantém-se enredado na questão da interferência russa nas eleições, com episódios rocambolescos a envolver visitas nocturnas à Casa Branca pelo líder Republicano da comissão que investigava o assunto.
Tudo isto entre acusações de contra-espionagem por parte de membros da administração Obama e conluios entre elementos da campanha de Trump e agentes russos, inclusive com o anúncio de que o ex-Conselheiro de Segurança Nacional, Mike Flynn, estaria interessado numa delação “premiada”.

Há uma semana, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley e o Secretario de Estado Rex Tillerson confirmavam que os EUA já não se focavam na saída de Assad do poder – ao contrário do que os Europeus sempre defenderam – cabendo ao “povo sírio” determinar o seu futuro.
Por esses mesmos dias – e decerto já esquecido neste ruído de informação – Tillerson reunia-se com os parceiros da NATO, recordava a ameaça russa na Ucrânia e fazia saber que a protecção norte-americana deve ser paga, recordando aos incautos outros  sinónimos da palavra extorsão.

Há menos de 48 horas, Steve Bannon, o “Darth Vader” que deu corpo intelectual às arengas comicieiras de Trump, foi afastado do NSC, órgão que estrutura as políticas externas e de defesa dos EUA, num episódio que marca à saciedade as lutas intestinas pelo poder no interior da administração e que simboliza o sucesso do Pentágono, como aliás já vislumbrado na proposta de orçamento federal, onde se permitia ser o único ramo do governo com despesas aumentadas.

Ontem, chegou a Washington o presidente Chinês, Xi Jinping, no que se previa como a cimeira mais complexa da actual cena internacional, pois o “Império do Meio” é a prazo a única grande potência que pode rivalizar com as pretensões e alcance global dos EUA, assumindo para já três assuntos cadentes: as questões territoriais no Mar do Sul da China, a contenção à Coreia do Norte e a perspectiva de uma “guerra comercial” pelas constantes tiradas Trumpianas de que Pequim faz “trapaça”.


Quem pensar que Trump ficou emocionado pela visualização de imagens de crianças gaseadas com armas químicas na Síria – supostamente após um ataque das tropas de Bashar Al-Assad à sua própria população – ignora que o conflito dura desde 2011, deslocou quase 5 milhões pessoas e provocou perto de 500 mil mortos, além de ainda acreditar que alguém descerá pela chaminé na noite da consoada.

Nas Relações Internacionais, no comportamento dos Estados e dos seus líderes, não é a comoção que lê os acontecimentos.

O que perdura e impacta é a análise multifactorial do momento, do que está em jogo doméstica e externamente, e do que se pode ganhar com determinado tipo de acção ou omissão.


Dissemos anteriormente que Trump abraça um comportamento político flexível com duas caracterizações maiores, eventualmente contraditórias, mas que se explicam mutuamente: “Imperialismo Isolacionista” e “Excepcionalismo Declinista”.

Para análise da acção na Síria interessa-nos a primeira, onde recordamos algumas asserções.

“Trump não prescindirá do aparato imperial dos EUA de forma a reforçar e beneficiar a sua preferência isolacionista por necessidades internas, gerindo o actual estatuto hegemónico e reforçando a longo prazo a única infalível “deterrence”, a realidade das armas”

“Quando preciso, Trump estenderá o “consenso” que não deixará de ser dominação, e se tal não bastar, a “força bruta” estará ao dispor para corrigir eventuais dissensões”


Agora, articulemos a teoria com a análise dos factos.

Esqueçamos alguns exemplos históricos daquilo que Obama designava de “playbook” da “foreign policy” norte-americana, utilizado desde Roosevelt, seja para justificar entrada em conflitos (Johnson), desviar atenções de casos domésticos (Reagan, Clinton) ou delírios idealistas e universalistas (Bush filho).

Trump está numa miríade de confusões domesticas, vê-se constantemente ligado ao extremismo de Bannon e à “hipótese” Russa, tem os norte-coreanos a comportarem-se como crianças enormes que põem em causa as promessas eleitorais do multimilionário de colocá-los em “sentido” e recepciona o rival Chinês que devia impor juízo a Pyongyang.


O que tiver que acontecer na Síria, sucede devido à confusão, aquilo que Trump classifica como a “mess” que Obama deixou.

O Pentágono (Mattis, McMaster e Kelly) ganhou a luta intestina pelo poder no círculo restrito da administração, é essencialmente russófobo e demonstra-o, a Moscovo e a Teerão.

De uma penada, Trump exerce e amplifica a sua imprevisibilidade na arena internacional, o que deixa aviso ao presidente Chinês, seu convidado em Mar-A-Lago no momento em que Tomahawks destruíam a base Síria.

Trump abre espaço para uma acção de Putin (que não vai ocorrer na Síria) na Europa e nessa altura Washington assobiará para o lado, recordando a conta que o Velho Continente tem por pagar.


Jogar uma peça num tabuleiro instável com múltiplos actores é um risco, que se torna exponencialmente inquietante com a possibilidade de erros em decisões individuais.

No mundo bipolar que opôs EUA e URSS, o risco de conflito directo entre as grandes potências estava “controlado”, mas a sua eventualidade acarretava a guerra total.

A realidade multipolar e competitiva actual, preenchida por um manancial de situações a ocorrer em simultâneo numa torrente informativa providenciada por tecnologias sobre a qual não existe segurança absoluta abre cenários que a teoria não pode abarcar.

Um detalhe pode fazer toda a diferença.


A interpretação que fizemos de Trump e do “Imperialismo Isolacionista” dava-nos razão.

O ataque à Síria é uma estultícia foi alimentada pelo ego pessoal do Presidente e por necessidades internas.

A irreflexão desta atitude, providenciada pelos militares que a maioria julgava serem os “adultos” nesta administração pode abrir uma caixa de Pandora semelhante à dos mísseis de Cuba.


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Links da Semana


Angola
Excerto de "A Guerra Civil em Angola", de Justin Pearce: http://observador.pt/especiais/guerra-civil-como-angola-foi-dividida-em-1975/

China
Report do SIPRI sobre o relacionamento China-Rússia
A Eurásia de Russos e Chineses: http://valdaiclub.com/files/13795/

França

Hillary Clinton

Islão
Shlomo Ben-Ami, ex- MNE Israelita e a necessidade do Islão político: https://www.project-syndicate.org/commentary/the-need-for-political-islam-by-shlomo-ben-ami-2017-04

Populismo
Sheri Berman e a “força” social do Fascismo: https://aeon.co/ideas/fascism-was-a-right-wing-anti-capitalist-movement
Frank Furedi e a revolta contra as “verdades” das elites: http://www.spiked-online.com/spiked-review/article/a-revolt-against-deference
Steven Lukes e o relativismo moral na época da pós-verdade: http://www.spiked-online.com/spiked-review/article/morals-in-a-post-truth-era
Cas Mudde, a tentativa de encerramento da CEU e como a UE tolera Orban há muito tempo: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/apr/03/eu-tolerated-viktor-orban-hungarian-central-european-university
Relatório da Freedom House, A Falsa promessa do Populismo: https://freedomhouse.org/sites/default/files/NIT2017_booklet_FINAL_0.pdf

Rússia
Richard Sakwa, a proposta de Gorbachev e a ascensão de Putin: https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/mar/31/putinism-russia-1989-world-order-rejected
Stiglitz e a análise económica à Rússia actual:

Síria

Trump


Defesa e Política Externa
Michael Mazarr e Hal Brands analisam o novo “ambiente” internacional e a eventual estratégia dos EUA: https://warontherocks.com/2017/04/navigating-great-power-rivalry-in-the-21st-century/
Report do CPA do Council on Foreign Relations sobre como Trump pode trabalhar com a NATO para atenuar as crises com a Russia: http://i.cfr.org/content/publications/attachments/CSR_79_Marten_RussiaNATO.pdf
Trump e o exercício comparado com a abordagem da intelligence britânica face ao Estalinismo: https://warontherocks.com/2017/03/the-intelligence-costs-of-underestimating-russia-a-warning-from-history/
Uma política externa para alavancar a economia nacional: http://www.hoover.org/research/foreign-policy-advance-domestic-economy
Graham Allison, A hipótese de conflito entre os EUA e a China:
A ordem mundial como entendida por Trump, Stewart Patrick na Foreign Affairs: https://www.foreignaffairs.com/articles/world/2017-02-13/trump-and-world-order
https://www.the-american-interest.com/2017/04/07/what-the-syria-strikes-mean/

Jeffrey Goldberg e o fim da doutrina Obama: https://www.theatlantic.com/international/archive/2017/04/the-obama-doctrine-rip/522276/

Crítica ao ataque na Síria: https://www.theatlantic.com/politics/archive/2017/04/president-trumps-syria-strike-was-unconstitutional-and-unwise/522228/


Respostas a Trump

Série de editoriais do LA Times:


“Trumpismo”
Pat Buchanan o “início” da insurreição nos Republicanos: http://www.esquire.com/news-politics/a54275/charge-of-the-right-brigade/

Fukuyama na NPR sobre os perigos que expõem a democracia liberal: http://www.npr.org/2017/04/04/522554630/francis-fukuyama-on-why-liberal-democracy-is-in-trouble


União Europeia
Paper do Egmont, por Sven Biscop, Como a Europa pode salvar a NATO: http://www.egmontinstitute.be/wp-content/uploads/2017/03/SBP83.pdf

TRI/CP
E-book gratuito publicado pela De Gruyter, editado por Robert Wistrich sobre o negacionismo, internacional, da esquerda à direita: http://www.oapen.org/download?type=document&docid=626363