quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O nojo que se escolhe, um Ass nas Necessidades, Memória e Links da semana



O nojo que se escolhe

O senhor John Bercow, Conservador, é o líder da Câmara dos Comuns desde Junho de 2012.
Veio Sua Excelência dizer que o Presidente Trump não é bem-vindo a discursar no Parlamento Britânico, por via das suas posições racistas e sexistas.
Contudo, há que dizer que o responsável parlamentar não teve o mesmo decoro aquando das visitas e discursos efectuados pelo presidente chinês Xi Jinping em Outubro de 2015 (como recordava e bem Garton Ash) ou com os presidentes de Singapura, Keng Yam em 2014, da Indonésia Yudhoyono, e do Emir do Kuwait, Al-Sabah, ambos em 2012.
É plausível assinalar que a China, Singapura ou o Kuwait, apesar de potentados económicos, não são propriamente bastiões da democracia liberal.
Já o senhor Yudhoyono foi suspeito de crimes de guerra em Timor-Leste.
Nestas coisas da política, convém sempre que a coerência não atrapalhe a verdade.
É um dos aborrecimentos da democracia, mas é algo que permite a sua dignidade.


O senhor ministro ASS

Augusto Santos Silva (ASS) é o responsável das Necessidades.
Dito de outra maneira, temos um ministro ASS nas Necessidades, o que nos poderia sugerir um jogo de palavras desagradável.
Augusto Santos Silva é o Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Veio esta luminar criatura que um dia declarou numa reunião socialista gostar “de malhar na direita” e recentemente baptizou a concertação social de “feira de gado”, afastar a possibilidade de equacionar as propostas de revisão da Academia de Ciências de Lisboa sobre o Acordo Ortográfico.
A Ciência, para já não citar o terror da inteligência mediana, sempre assustaram certos tipos de seres.
Mas lamentavelmente são indivíduos da estirpe de ASS, que da língua portuguesa parece perceber tanto como acerca de uma eventual estratégia nacional, que peroram sobre assuntos desta magnitude.
A infelicidade não é somente nossa e hoje, é da nossa História e do futuro.


Memória

Há dias foi desclassificada informação da CIA estimando que entre o final dos anos 40 e princípio dos anos 60 do século passado, os EUA apoiaram financeiramente a "luta anti-comunista" em Itália com uma média de 5 milhões de dólares anuais (http://nsarchive.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB579-Defense-Department-draft-history-on-Clare-Boothe-Luce-and-US-diplomatic-intelligence-and-military-activities-in-Italy-in-1950s/).
Don Levin, académico da Universidade Carnegie Mellon documentou mais de 80 ocasiões em que os EUA tentaram influenciar eleições por todo o mundo, e isto apenas entre 1946 e 2000 (http://www.npr.org/2016/12/22/506625913/database-tracks-history-of-u-s-meddling-in-foreign-elections).
Não julgue a nossa cristalina consciência que o que Moscovo eventualmente fez nas eleições norte-americanas é algo pernicioso, indecoroso, indizível, valha-me deus, algo que só o pior dos vilões jamais imaginados em cadernos de banda desenhada era capaz de engendrar.
A política internacional é o que é, longe da eloquência pacifista que muitos fazem da leitura superficial do ideal Kantiano, determinando que caminhamos para um mundo perfeito de cooperação e paz, amizade e emoção.
Qualquer suposta conduta moral fica à porta quando se fala de interesse nacional.



Links semana

Trump
Na WPR analisa-se que tipo de “ordem” pode substituir a ordem internacional liberal: http://www.worldpoliticsreview.com/articles/20868/an-open-world-is-in-the-balance-what-might-replace-the-liberal-order
No NY Times, Jonathan Stevenson, senior fellow do IISS: a politica externa de Tump é radical ou inapta? Ambas:
Trump e May, prelúdio de uma nova ordem mundial?:
Os prejuízos do proteccionismo de Trump, analisados economicamente: https://www.brookings.edu/blog/order-from-chaos/2017/02/07/the-high-costs-of-protectionism/
A National Review, pela escrita de Jonah Goldberg, continua a não apoiar Trump: http://www.nationalreview.com/article/444724/donald-trump-conservative-defenders-behavior-indefensible
Relatório do CSIS sobre o futuro da NATO e o papel dos EUA:
No NY Times, 3 autores defendem que Trump abraçou os pilares da política externa de Obama: https://www.nytimes.com/2017/02/02/world/middleeast/iran-missile-test-trump.html
No Dissent magazine: Adaptar o pensamento de Gene Sharp à América de Trump?: https://www.dissentmagazine.org/blog/gene-sharp-handbook-nonviolent-resistance-dictators-trump
Como o “terrorismo islâmico radical” de Trump fracassa no essencial:
Cientistas políticos questionam se quem “protesta” também vota:
Robert Kagan na Foreign Policy sobre o “revisionismo” russo e chinês e a necessária postura da adminsitraçao Trump:
A democracia moderna (riscos e potencialidades): http://items.ssrc.org/is-democracy-slipping-away/

China-EUA

China-Rússia
China e Rússia, um novo modelo de relação entre Grandes Potências: http://scharap.fastmail.net/public/Russia%20and%20China-Survival.pdf

Rússia

China
O SIPRI analisa as implicações da “Silk Road” em termos de segurança e cooperação com os EUA: https://www.sipri.org/sites/default/files/The-Silk-Road-Economic-Belt.pdf

Vários
Transatlantic Academy, A nova politica externa Alemã:
Situação entre a Sérvia e o Kosovo merece a atenção da EU: https://intpolicydigest.org/2017/02/04/note-brussels-don-t-forget-balkans/
Entre finais anos 40 e os anos 60 do século 20, a CIA financiou clandestinamente a luta anti-comunista em Itália, com uma média de 5 milhões de dólares anuais: http://nsarchive.gwu.edu/NSAEBB/NSAEBB579-Defense-Department-draft-history-on-Clare-Boothe-Luce-and-US-diplomatic-intelligence-and-military-activities-in-Italy-in-1950s/
A França contra o jihadismo, a “República” na nova era do terror: https://www.ifri.org/sites/default/files/atoms/files/hecker_tenenbaum_france_vs_jihadism_2017.pdf
O Relatório da Aministia Internacional sobre as execuções em massa na prisão síria de Saydnaya: https://www.amnesty.org/download/Documents/MDE2454152017ENGLISH.PDF

Vídeos
Henry Kissinger e Fareed Zakaria em 1999 debatiam com William Buckley a política externa do “futuro”: https://www.youtube.com/watch?v=p4bhyP_kH7A&feature=em-uploademail
A senadora Elizabeth Warren é impedida de criticar o novo Procurador-Geral Jeff Sessions no Senado: https://www.youtube.com/watch?v=Ay2bBqu5maw

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