quinta-feira, 2 de março de 2017

As TRI no Amor, na Cama e na Família



As TRI no Consultório Amoroso

As Teorias das Relações Internacionais trabalham a Guerra e Paz, tentando percepcionar causas e motivos das mesmas, além de visarem explicar e compreender uma vasta gama de fenómenos situados no relacionamento entre Estados no que se convencionou designar como Sistema Internacional.

Existem contudo coisas mais prosaicas na nossa vida, como o amor e o sexo, encontros românticos e descendência adjunta, mesmo que não totalmente integradas numa leitura académica.

Tentamos extrair lições ou comparações que podem recair na esfera íntima com uma espreitadela às três teorias que trabalham uma visão sistémica das Relações Internacionais: Realismo, Liberalismo e Construtivismo.

Não elencamos neste rol as demais “abordagens”, teorias críticas, pós-modernismo e pós-estruturalismo, pós-colonialismo e feminismo porque são um aborrecimento de ler, de compreender e porque no fim das contas nem acreditam, regra geral, viver no mundo em que habitam.

Deixamos também de lado o Marxismo, lançando-o para os braços dos Historiadores, merecedores de alguma consideração disciplinar.

Do que se sabe, nem Kenneth Waltz, Robert Keohane ou Alexander Wendt (este na sua fase “lúcida”) escreveram sobre os temas que visamos perorar, encontrando-se então aqui uma radical lacuna, epistemológica e metodológica que urge preencher, com enlevo.

Incidiremos sobre acontecimentos que marcam a maravilha de sermos Humanos e como podem ser encontrados exemplos da “boa teoria” em situações como um primeiro encontro romântico, a avaliação do sexo entre o casal e inclusive considerações sobre o tipo de prol que se pode originar, para gáudio do crescimento demográfico nacional.

Realistas

1º encontro romântico – Independentemente do local escolhido (restaurante de luxo,  cantina social ou “roullote” na 2ª circular) um casal realista pouco falará durante a refeição, focando-se mais em perceber as intenções alheias.
Qualquer deles resistirá a pagar a conta e percepcionarão quem os atender como um trapaceiro, estando fora de equação qualquer tipo de gorjeta.

Sexo – Puro e duro.
Daqueles que acorda os vizinhos e com potencial de desgraçar o sossego da rua inteira. Tentarão atingir o pináculo do prazer o quanto antes, numa corrida desenfreada para a própria satisfação.
Contudo, praticam apenas duas posições (a preferida de cada um) de forma recorrente.
A rotina curiosamente, não provoca cansaço ou enfado a um casal realista, antes conforto.
O ciúme entre ambos chega a ser doentio, desconfiando não raras vezes das próprias sombras.
A banda sonora que tocará no CD será “Creep” dos Radiohead.

Filhos – Tenderão a ter cinco filhos, sendo que um deles terá primazia sobre os restantes, embora todos tenham o poder de veto de estragar o fim de semana à família.

Liberais

1º encontro romântico – Pode ocorrer até como consequência de um “blind date”, tal a ambição idealista que os guia para os abraços do outro na senda de atingirem a perfeição.
Não se coíbem de celebrar o matrimónio assim que possível, laços esses renovados sempre com periodicidade, em nome de uma cega confiança e na certeza que o futuro é sempre um lugar melhor.

Sexo – Muita atenção ao parceiro.
As mulheres não fingem orgasmos e os homens tudo farão pelo prazer feminino, além de não adormecerem no pós-acto ao fim de cinco minutos.
Não há qualquer tipo de ciúme no casal.
A música de fundo é “It´s a wonderful world”, na voz de Louis Armstrong, em som baixo devido ao respeito que nutrem pela vizinhança, que apesar de notoriamente ter pessoas pouco recomendáveis, é por eles respeitada.

Filhos – Naturais e adoptados. Muitos. Todos diferentes.
Saem à rua felizes e de mãos dadas, o que não deixa de ser constrangedor.
Intenso voluntariado em instituições de solidariedade.

Construtivistas

1º encontro romântico – Levam as respectivas famílias, além de todas as fotografias de antepassados falecidos e os vizinhos mais próximos.
Pelo facto têm de alugar um Quartel dos Bombeiros.
No final, não pagam a conta, antes preferem colaborar em tarefas solidárias para desgosto da corporação voluntária que preferia vil-metal em forma de euros para ajudar a recente queda do telhado.
Há contudo relatos (não confirmados) de vários casais construtivistas que, combinando jantar no “Tavares Rico” se recusaram a pagar a conta, afirmando a quem os quer ouvir (ninguém quer, contudo) que o dinheiro é uma mera construção mental.

Sexo – O sexo em si é uma concepção material, feita para prazer egoísta.
Assim, preferem trabalhar em conjunto numa experiência tântrica, que os guie em conjunto para novos estados de consciência, incrementando o conhecimento sobre si e o outro.
Partilham experiências anteriores sem qualquer tipo de receio ou ciúme.
Escreverão em conjunto as memórias do casal.

Filhos – Os filhos, para um casal construtivista, são claro o que os pais deles fazem. Possivelmente, existirá alguma diferença notória entre os rapazes e as raparigas (além das físicas, sublinhe-se).
E maior diferença ainda entre aqueles mais chegados ao pai ou à mãe.
No entanto, querem partilhar de forma constante cada nova experiência das criancinhas, chegando a causar saturação e ansiedade nas mesmas.
Uma nota para referir que a casa de férias da família terá sido ocupada em tempos por um grupo de extrema-direita libertária, mas agora serve de acolhimento a refugiados.

Em suma, Realistas, Liberais e Construtivistas querem ser felizes.
De diferentes maneiras, claro.
Um Realista acredita em momentos de felicidade, com muito sexo, não dá os bons-dias ao vizinho no elevador e sabe que ter filhos é aturar os anos iniciais de baba e ranho para depois extrair alguma recompensa, caso algum dos rebentos se torne um Cristiano Ronaldo ou pelo menos uma figura reconhecida da “reality TV”.

Um Liberal, gostava que toda a rua fosse feliz, até os “feios, porcos e maus” do 3º Esquerdo frequentemente visitados pela PSP devido a sonoros hábitos alcoólicos nocturnos. Um casal liberal faz competição por auxiliar a atravessar as velhinhas na passadeira e por levar os sacos de compras (carregados) dos vizinhos.

Um construtivista chega a cansar numa saída nocturna com amigos pelas dúvidas de onde deixar o carro, se ir de autocarro ou metro e que tipo de local de diversão escolher, pois por vezes querem estar em todo o lado ao mesmo tempo e a ubiquidade paga-se caro, além de desgastar fisicamente.
Tendem a ter algum comportamento semelhante ao liberal, sendo contudo mais distraídos, devido (corre o boato) a um passado de algumas experiências alucinógenicas que deixaram marcas e a alguns contactos não esclarecidos com teóricos críticos, pós-modernistas e pós-estruturalistas.

As Relações Internacionais estão de facto presentes no quotidiano familiar, muito para além do que gostaríamos, até porque resulta como fácil e notório que todos conhecemos casos como os descritos.

É contudo possível estudar melhor o panorama teórico desta disciplina que muitos clamam como meramente Estatocêntrica, encontrando-a no rosto com o qual pretendemos fazer vida em comum.
Até porque o “amor” (e o que lhe vem apenso) pode ser, a continuação da política por outros meios.


Links da Semana

Alemanha
A Alemanha que é necessária para contrabalançar Trump, por Yascha Mounk, no GMF: http://www.gmfus.org/file/9612/download

Ártico

“Basic Income”
Na revista do NY Times, a experiência de “basic income” no Quénia: https://www.nytimes.com/2017/02/23/magazine/universal-income-global-inequality.html

China
Michael Mazarr na RAND sobre os caminhos que a China pode seguir, e a influência norte-americana nessa decisão: http://www.rand.org/blog/2017/02/chinas-opportunity-and-ours.html
Relatório da Freedom House sobre a repressão religiosa na China: https://freedomhouse.org/sites/default/files/FH_ChinasSprit2016_FULL_FINAL_140pages_compressed.pdf
A China procura controlar (ainda mais) as suas Universidades: http://www.chronicle.com/article/China-Seeks-Tighter/239364

Israel-Palestina
Relatório do “State Comptroller” israelita sobre as falhas politicas e militares na Guerra de Gaza em 2014: http://www.haaretz.com/israel-news/LIVE-1.774365

Populismo
No Project Syndicate, Skidelsky, Sachs, Rodrik, Jan-Werner Mueller entre outros sobre o populismo, suas causas e motivos vários: https://www.project-syndicate.org/onpoint/the-anatomy-of-populist-economics-by-brigitte-granville-2017-02
Paper do GMF sobre a estratégia de Marine Le Pen na modernização da Frente Nacional: http://www.gmfus.org/file/9630/download
Vídeo, John Judis e a “Populist explosion”: https://www.youtube.com/watch?v=cYTRDWxpZlw

Portugal
No “Progressive Post”, 2 investigadoras portuguesas sobre:

Rússia
Relatório da RAND sobre a ameaça “híbrida” Russa no Báltico: https://www.rand.org/content/dam/rand/pubs/research_reports/RR1500/RR1577/RAND_RR1577.pdf
Do NATO Defense College sobre como Putin utiliza a guerra “informativa”: http://www.ndc.nato.int/download/downloads.php?icode=512

Terrorismo

Jessica Stern e os motivos por detrás do extremismo violento: https://www.bu.edu/bostonia/winter-spring17/jessica-stern-terrorism/

Estudo para o PE sobre politicas Europeias face ao terrorismo, sua coerência e eficácia, além de recomendações: http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2017/583124/IPOL_STU(2017)583124_EN.pdf


Trump

Administração
Como a despesa prevista por Trump pode causar danos à divida norte-americana: http://www.cfr.org/united-states/trump-could-affect-national-debt/p38857

Defesa e Política Externa
Da Brookings, relatório sobre uma “Estratégia de segurança nacional para os EUA”: https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2017/02/fp_201702_ofc_report_web.pdf
Niall Ferguson elogia as forças militares americanas no actual contexto Trump: https://www.bostonglobe.com/opinion/2017/02/27/praise-american-militarism/R0fK6O7wv1Tr0vH51F6M4M/story.html
Na Politico, uma conversa com Madeleine Albright, Michele Fluornoy e Wendy Sherman sobre a política externa “alpha male” de Trump:
Vídeo: Paul Miller, académico, e ex-membro das administrações de W. Bush e Obama, em conferência sobre o “Poder Americano e a Ordem Internacional Liberal”: https://www.youtube.com/watch?v=ThgvsjvKXTU
Paul Pillar e os conflitos de interesse da Política Externa de Trump: http://nationalinterest.org/blog/paul-pillar/foreign-policy-trumps-conflicts-interest-19508
Jeffrey Sachs e o Populismo de Trump em Política Externa:
Como o “establishment” da Política Externa norte-americana tenta resistir a Trump: https://www.theatlantic.com/international/archive/2017/02/trump-brookings-international-order/517137/
Dezenas de oficiais generais enviam missiva a Trump para não abdicar da componente diplomática: http://www.abc.es/internacional/abci-mas-120-generales-retirados-piden-trump-no-recortar-gasto-diplomacia-201702281203_noticia.html
Os EUA e o Acordo climático de Paris:
Michael Anton (do NSC de Trump) no “American Affairs”, sobre os EUA e a Ordem Internacional Liberal: https://americanaffairsjournal.org/2017/02/america-liberal-international-order/

Respostas a Trump

Larry Diamond e a indispensabilidade da sociedade exigir e apoiar a Democracia: http://insights.berggruen.org/issues/issue-8/institute_posts/188

Michael Walzer e a política de resistência face a Trump: https://www.dissentmagazine.org/online_articles/the-politics-of-resistance-michael-walzer
A Casa Branca impede o acesso de vários jornalistas a uma conferência de imprensa: http://www.thedailybeast.com/articles/2017/02/24/white-house-blocks-cnn-new-york-times-and-others-from-press-briefing.html
Uma muçulmana, ex-conselheira de Ben Rhodes (administração Obama) e os seus 8 dias na Casa Branca de Trump: https://www.theatlantic.com/politics/archive/2017/02/rumana-ahmed-trump/517521/
Um antropólogo discute o conceito de “verdade”: https://theconversation.com/seeking-truth-among-alternative-facts-72733
Jeffrey Goldberg na The Atlantic entrevista Bill Gates e Warren Buffett: https://www.theatlantic.com/business/archive/2017/02/buffett-gates/517833/
Vídeo, Conferência de Timothy Garton Ash sobre a “Liberdade de expressão e a defesa de uma sociedade Livre”: https://www.youtube.com/watch?v=eqSlx2h_1oE

“Trumpismo”
Um “journal” que diz representar academicamente o pensamento de Trump: https://americanaffairsjournal.org/
Michael Anton, um desconhecido leitor de Maquaivel que influencia a Casa Branca de Trump: http://www.vanityfair.com/news/2017/02/michael-anton-white-house-machiavelli
 O que é um Populista? E Trump, será? Cas Mudde e Jan-Wener Muller, entre outros:
No CPAC, Steve Bannon e Reince Priebus juntos: https://www.youtube.com/watch?v=8e2g8VAhxeE

Trump/Rússia
Vídeo: Mearsheimer (como sempre controverso) e Daalder contrapõem argumentos sobre a interferência Russa no sistema político dos EUA: http://chicagotonight.wttw.com/2017/02/27/trump-s-russia-policy-sends-mixed-messages-investigations-mount
Walter Russell Mead e as duvidas sobre a ligação de Trump a Putin: http://www.the-american-interest.com/2017/02/24/trump-isnt-sounding-like-a-russian-mole/
O que esperar do “relacionamento” de Trump com Putin: http://www.newyorker.com/magazine/2017/03/06/trump-putin-and-the-new-cold-war
Vídeo: debate do CFR (Charles Kupchan entre outros) sobre o relacionamento EUA-Rússia:

Trump/União Europeia
Stephen Walt na Foreign Policy sobre o relacionamento estratégico entre EUA e Europa: http://foreignpolicy.com/2017/02/23/its-time-for-europes-militaries-to-grow-up-trump-nato
O desencontro cada vez maior entre Trump e a UE:

Turquia
A política externa Turca, condicionada pelas suas dinâmicas internas: http://carnegieeurope.eu/strategiceurope/?fa=68109

União Europeia

TRI
Relatório da Conferência de Segurança de Munique: http://report2017.securityconference.de/
Estudo do Stimson Center sobre as despesas militares numa nova realidade estratégica: https://www.stimson.org/sites/default/files/file-attachments/Military%20Spending%20For%20A%20New%20Strategic%20Reality.pdf

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